por IRAPUAN COSTA JUNIOR
para o CONTRAPONTO
Tirando a máscara do comunismo
No dia três deste mês, o filósofo Olavo de Carvalho escreveu, no “Diário do Comercio”, um artigo (“Ignorando o essencial”) sobre facetas pouco percebidas do movimento comunista, e a jornalista Eliane Cantanhêde, na “Folha de S. Paulo” abordou, na sua coluna, com o título “A culpada é… a empregada”, a infeliz iniciativa do deputado Alberto Fraga, de contratar por seu gabinete a faxineira de sua casa. Duas matérias completamente distintas, na aparência, uma escrita pelo filósofo e jornalista conservador, e outra da lavra da jornalista alinhada com a esquerda mais revolucionária. Mas as aparências são, muitas vezes, enganosas. Uma matéria tem muito a ver com a outra.
Olavo de Carvalho alerta para alguns aspectos do movimento comunista que escapam do desavisado cidadão comum, em que pesem as conseqüências que podemos, todos nós, vir a sentir, como sentiram — e sentem — populações inteiras por esse mundo afora. O primeiro aspecto é a sua singularidade: o único movimento político, na história da humanidade, a contar com uma organização em escala mundial. Apesar da falácia do desaparecimento do comunismo (que serve muito bem a seus propósitos), ele está presente, e não só em Cuba, na China e na Coréia do Norte, mas também na Argentina, na Bolívia, na Venezuela, no Brasil, e até na pátria da democracia, os EUA. Outro aspecto é a sua clandestinidade, uma de suas armas mais eficazes. Embora existam os partidos de base comunista (no Brasil, PC do B, PT, PSOL, etc.), elementos da crença estão disseminados em outros partidos, e em muitas atividades extra partidárias, sob os mais diversos rótulos, seja no jornalismo, seja nas universidades, seja nas igrejas. E os agentes jamais se revelam como comunistas, mesmo agindo como tal, às claras ou sub-repticiamente.
Um terceiro aspecto é a abundância de recursos para sua ação. Já imaginaram o volume de dinheiro para se montar um Fórum Social Mundial? Ou para orquestrar uma demonstração contra a OTAN, como na semana passada, em Estrasburgo?
Um quarto aspecto, o fato de ser reconhecível como tal apenas uma parcela ínfima de sua propaganda doutrinária, embora ela intoxique diariamente a mídia e as pregações universitárias, governamentais, religiosas, parlamentares. Existem outros aspectos, mas vamos ficar apenas nestes.
Passemos ao artigo da Eliane. Sua crítica à contratação fraudulenta da empregada doméstica é absolutamente pertinente. O deputado Alberto Fraga cometeu falha grave, inadmissível para qualquer agente público, e se faz merecedor de boa punição. Não tem defesa. Mesmo porque a única punida até agora (com sua demissão, e daí o título do artigo de Eliane) foi a faxineira. Mas… e o mas, aqui, é mais importante que o resto da matéria, Eliane assim termina seu escrito: “Aliás, não convém ficar para brincadeirinhas neste caso: o deputado Fraga, o patrão que não paga a empregada, é o líder da bancada pró-armas”.
Eliane enche de munição o paiol de Olavo de Carvalho, quando chama à reportagem um assunto que nada tem a ver com ela. O movimento pelo desarmamento da população é mundialmente patrocinado pela esquerda (está presente, e fortemente, até nos EUA), como fórmula de docilizar as populações, e impedir sua reação aos avanços socialistas. Faz parte da cadeia global que menciona Olavo de Carvalho. Embora os partidos marxistas apoiassem abertamente o desarmamento no Brasil, usaram como linha principal agentes aparentemente apartidários e até apolíticos numa intensa doutrinação, entrando aí a grande mídia (Rede Globo), ONGs, parte da Igreja Católica, entidades classistas — e eis a mencionada clandestinidade em ação.
Os recursos que os desarmamentistas utilizaram eram praticamente inesgotáveis. Durante o referendo sobre o desarmamento, aqui no Brasil, os recursos vindos de fora para organizações suspeitas, como a Viva Rio e a Sou da Paz, eram volumosos, e eles de tal forma perderam a vergonha que nem escondiam sua origem.
Evidenciado o terceiro aspecto. O quarto aspecto, que mencionei acima, surge aqui de maneira mais sutil. A propaganda que a Eliane faz, pelos contorcionismos necessários, torna-se pouco reconhecível, mas facilmente desmascarável, com um pouco de raciocínio: 1) Fraga nunca foi pró-armas. Ao acusá-lo de ser pró-armas, ela o está acusando de ser a favor de armar a população, isto é, induzir quem não quer ou não gosta de armas a usá-las, coisa que nem Fraga nem qualquer de nós que somos contra o desarmamento jamais fizemos. Nós sempre defendemos o direito, o arbítrio, a liberdade, de quem quiser ter uma arma para sua defesa, e de sua família, de tê-la. Como defendemos o direito de não tê-la quem não quiser. Ao mudar o conceito, a jornalista faz sua propaganda pouco reconhecível da esquerda revolucionária, aquela que deseja uma sociedade de escravos perante um Estado forte, como acontece em Cuba.
2) Ao juntar o pecado da funesta contratação ao fato de o deputado ser anti-desarmamentista, a jornalista tenta contaminar o ato certo com o ato errado. Não desarmamentistas são dois terços da população brasileira, como mostrou o referendo. Não ser desarmamentista é, pois, se alinhar com a vontade democrática do País. Nada de errado nisso. Já fazer o contrário, como fazem a jornalista e seus colegas de esquerda, seus ministros da Justiça, e outros integrantes do governo, é, à socapa, fazer a propaganda do totalitarismo.
E, para não cansar os leitores: 3) Se Fraga, que errou na contratação da empregada, é mau exemplo, logo, um não desarmamentista é mau caráter, como quer a colunista, lembremos que, na sua carreira política de deputado, esse foi o primeiro e único, até agora, escorregão. Já quem se alinhou, com Eliane e “companheiros” para desarmar a população, enquanto se descuidava dos bandidos, quem estava na linha de frente do movimento, quem foram os próceres da pregação, como Renan Calheiros, Luiz Eduardo Greenhalgh, Marcio Thomaz Bastos e outros, são políticos que não só escorregam, mas fazem dos escorregões um meio de vida.
Servidão voluntária
O irmão de Franklyn Martins, o nosso Goebbels (ministro da Propaganda de Lula), Victor de Souza Martins, é diretor da ANP (Agencia Nacional de Petróleo), e, segundo documentos da Polícia Federal revelados pela “Veja”, está envolvido, juntamente com a esposa, em alta corrupção na distribuição de royalties municipais.
Contudo, dessa vez, a Polícia Federal não chamou a Globo, não prendeu ninguém, e o processo está parado há mais de ano. Não há oposição no Congresso. Um único deputado honesto e determinado faria um carnaval. O brasão do Congresso deveria ostentar a máxima: “Omnia serviliter pro dominatione” (“Tudo faço, servilmente, pelo poder”).
Aliado de Dilma Rousseff planejou sequestro do ministro Delfim Netto
Antonio Roberto Espinoza, ex-comandante dos movimentos de esquerda armada VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) e VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares), conta, em detalhada reportagem da “Folha de S. Paulo” de domingo, 5, como tramou, com a participação de mais quatro “companheiros”, o seqüestro do então ministro da fazenda Delfim Netto, em 1969.
Um dos “companheiros” era a hoje ministra e candidata a presidente Dilma Rousseff. O plano, detalhado a ponto de ter sido apreendido mais tarde até um mapa da região do seqüestro, só não foi adiante, porque alguns “companheiros” terroristas foram presos. Dilma negou o plano, dizendo que “não se lembra”. Equivale ao “não sabia” que Lula sempre usa quando um de seus próximos é pego roubando. É difícil aceitar a negativa da ministra.
O plano existiu, como consta dos documentos apreendidos e da declaração, a mais insuspeita que pode existir, pois dada por um dos culpados, e espontânea. Se tivesse sucedido, o seqüestro teria sido um enorme golpe publicitário para os terroristas. Delfim era popularíssimo, pois o Brasil vivia o chamado “milagre econômico”. Crescia a taxas próximas de 10% ao ano, vivia o pleno emprego e os salários estavam em alta.