Archive for abril de 2009

Não haveria massacre se vítimas tivessem armas

Não haveria massacre se vítimas tivessem armas, diz americano

GABRIELA MANZINI
da Folha Online

Larry Pratt, diretor da Gun Owners of America (Donos de Armas da América, em inglês), organização fundada em 1975 para defender o direito dos americanos de adquirir e portar armas, diz que liberar o acesso às armas seria mais eficiente na prevenção de massacres como o da escola Columbine, ocorrido há exatos dez anos, do que restringir.

Descontrole de armas cresceu após Columbine
Veja imagens do ataque à escola Columbine
EUA homenageiam vítimas do massacre

Em entrevista concedida à Folha Online por telefone, de Springfield, Pratt defende que nenhum dos massacres teria ocorrido se as vítimas estivessem armadas. “O massacre [de Columbine] aconteceu porque nenhum professor, nenhum diretor e nenhum zelador pôde atirar nos meninos quando eles começaram a matar pessoas.”

Leia os principais trechos da entrevista:

FOLHA ONLINE – Por que um americano comum precisa de uma arma?
LARRY PRATT - Para começar, nos EUA, nós temos a Segunda Emenda, que protege nosso direito, dado por Deus, de nos proteger com uma arma de fogo. Historicamente, a posse de arma de fogo foi exigida de todo homem livre, em todo nosso período colonial.
Por 150 anos, na América, sob a Coroa Britânica, tivemos leis segundo as quais, se você era um homem livre, tinha que possuir um rifle e ir a uma milícia praticar. Quando a Constituição foi escrita, era isso que ela dizia. Que todos os indivíduos têm direito a rifles militares ou eles seriam multados. Havia punições para quem não tivesse armas.

FOLHA ONLINE – Mas isso foi há anos. Todo americano ainda precisa de um rifle?
PRATT - Pensamos que sim. Olhando para a história, o século 20 foi o mais sangrento da humanidade. Um número de pessoas equivalente a quase toda população dos EUA [que é de 306 milhões, aproximadamente] foi assassinado pelos próprios governos. Não só em guerras, mas a sangue frio, em genocídios. Então, pensamos que armas ainda são importantes.

FOLHA ONLINE – O senhor disse que o século 20 foi o mais sangrento da história. Estatisticamente, os EUA têm mais crimes envolvendo armas que outros países…
PRATT - Não todos os países. Não como nosso vizinho México e vários outros países. O interessante é que temos mais problemas em áreas onde as pessoas decentes têm dificuldade de obter armas. É nesses lugares que os criminosos concentram a ação. Se você tirar cidades como Washington D.C. e Chicago das estatísticas, temos índices de crimes tão baixos quanto os da Europa.

FOLHA ONLINE – Quando os cidadãos têm dificuldade para obter armas, os criminosos também não a têm?
PRATT - Na Inglaterra, há uma proibição e, agora, eles têm mais crimes com armas que antes da proibição e do recolhimento de armas, em 1997. Então, criminosos não enfrentam problemas para conseguir armas. Nós é que enfrentamos.

FOLHA ONLINE – No último mês, houve cinco massacres nos EUA e, em todos, os atiradores tiveram acesso fácil a armas.
PRATT - Na verdade, o que há em comum entre esses massacres é que as vítimas não tinham armas. A maioria dos homicídios múltiplos que acontecem nesse país, como os que acontecem em escolas e centros cívicos, como o que ocorreu recentemente em Nova York [um atirador matou 13 em um centro de imigrantes, incluindo um brasileiro], eram lugares onde, por lei, armas são proibidas. Mas essas são leis que criminosos não seguem.

FOLHA ONLINE – O massacre em Columbina completa 10 anos no próximo dia 20. O senhor não acha que a falta de controle sobre armas contribuiu para aquele crime?
PRATT - O massacre aconteceu porque nenhum professor, nenhum diretor e nenhum zelador pôde atirar naqueles dois meninos quando eles começaram a matar pessoas.
Em Colorado Springs, um tempo atrás, um cara entrou em uma igreja com uma estratégia parecida com a de Columbine, de matar muita gente, com milhares de projéteis. Mas ele foi morto logo que entrou na igreja porque, todo domingo, 25 voluntários armados participavam de um programa de segurança da igreja. Logo que o atirador entrou, ele foi morto.

FOLHA ONLINE – Então sua resposta para a violência seria um pouco mais de violência?
PRATT - Violência resolve problemas. Você pode perguntar para o capitão daquele navio. Atirar e matar os três sequestradores resolveu o problema dele. [Um capitão americano que permanecia refém de quatro piratas somalis em um bote, na costa da África, foi solto depois de agentes terem atirado e matado três dos criminosos.]

FOLHA ONLINE – E essa ideia se aplica a qualquer país? Existe uma noção de que a fraca legislação de controle de armas nos EUA está viabilizando o tráfico para o México. Na sua visão, o México está sendo beneficiado?
PRATT - Os crimes com armas praticados no México pelos traficantes de drogas contra o governo, na guerra civil deles… essas armas não saem dos EUA. Bem, algumas saem, mas são rifles de uso militar vendidos sob a autoridade do nosso Departamento de Estado para o Exército mexicano. Só que o Exército mexicano sofreu 150 mil deserções. E quem quebra a lei de deserção também quebra a lei e rouba rifles. Os traficantes mexicanos contam ainda com armas das Farc [Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia], El Salvador, Nicarágua. E essas são armas que não têm nem número de série.
Se você olhar para as armas que os mexicanos receberam nos últimos anos, umas 30 mil, 15% eram dos EUA. Não eram 90%, não eram maioria [como alega o presidente mexicano, Felipe Calderón]. Dá para imaginar Pablo Escobar [chefe do cartel de Medellín, morto em 1993] esperando na fila de uma feira de armas para comprar uma automática que nem atira como uma metralhadora?

FOLHA ONLINE – Sobre os critérios usados atualmente nos EUA para venda de armas, como realizar checagem de antecedentes, qual sua opinião?
PRATT - Não achamos que checar antecedentes ajuda no controle de armas. Se os criminosos conseguem armas na Inglaterra, que é uma ilha e tem uma lei contra armas… E esse sistema, atualmente, atinge a maior parte dos vendedores, em feiras de armas. Menos de 1% das armas usadas em crimes saem dessas feiras. A checagem de antecedentes, hoje, só não atinge traficantes.

FOLHA ONLINE – No dia 16, o ataque à Universidade Virginia Tech completou dois anos. Naquele caso, o rapaz não podia comprar uma arma, segundo as leis atuais, e mesmo assim conseguiu…
PRATT - O problema, mais uma vez, foi que ninguém podia reagir. Em Virginia Tech, a polícia levou 11 minutos para chegar, e mais de 30 pessoas foram mortas enquanto naquela igreja, em Colorado Springs, a polícia levou seis minutos para chegar, mas o atirador estava morto havia cinco minutos e meio. Ele matou suas pessoas no estacionamento mas, depois de entrar na igreja, foi morto.

FOLHA ONLINE – Mas dar armas a todos os cidadãos não faz com que discussões entre marido e mulher, entre familiares, passem a ser crimes violentos, em vez de apenas discussões?
PRATT - Olha, quando um homem vai fazer algo tão baixo quanto machucar uma mulher, ele não precisa de uma arma. Na verdade, quem precisa de uma arma é essa mulher, para atirar nesse homem. Eu imagino que haja várias mulheres que estão tendo suas gargantas estranguladas e que desejam ter uma arma.

FOLHA ONLINE – Que tipo de armas o senhor possui?
PRATT - Revólveres, rifles, espingardas de caça.

FOLHA ONLINE – E o senhor tem filhos? Que tipo de medidas o senhor adota para evitar que suas armas estejam envolvidas em crimes?
PRATT - Eu criei quatro filhos com armas pela casa. Tenho 22 netos, e eles estão em casa o tempo todo. Não temos problema.

FOLHA ONLINE – Mas armas ficam expostas às crianças?
PRATT - Não diria que expostas, mas à disposição. Se as crianças têm idade suficiente, elas sabem que não podem tocar nas armas sem permissão.

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Tirando a máscara do comunismo

por IRAPUAN COSTA JUNIOR
para o CONTRAPONTO

Ti­ran­do a más­ca­ra do co­mu­nis­mo

No dia três des­te mês, o fi­ló­so­fo Ola­vo de Car­va­lho es­cre­veu, no “Di­á­rio do Co­mer­cio”, um ar­ti­go (“Ig­no­ran­do o es­sen­cial”) so­bre fa­ce­tas pou­co per­ce­bi­das do mo­vi­men­to co­mu­nis­ta, e a jor­na­lis­ta Eli­a­ne Can­ta­nhê­de, na “Fo­lha de S. Pau­lo” abor­dou, na sua co­lu­na, com o tí­tu­lo “A cul­pa­da é… a em­pre­ga­da”, a in­fe­liz ini­ci­a­ti­va do de­pu­ta­do Al­ber­to Fra­ga, de con­tra­tar por seu ga­bi­ne­te a fa­xi­nei­ra de sua ca­sa. Du­as ma­té­rias com­ple­ta­men­te dis­tin­tas, na apa­rên­cia, uma es­cri­ta pe­lo fi­ló­so­fo e jor­na­lis­ta con­ser­va­dor, e ou­tra da la­vra da jor­na­lis­ta ali­nha­da com a es­quer­da mais re­vo­lu­ci­o­ná­ria. Mas as apa­rên­cias são, mui­tas ve­zes, en­ga­no­sas. Uma ma­té­ria tem mui­to a ver com a ou­tra.

Ola­vo de Car­va­lho aler­ta pa­ra al­guns as­pec­tos do mo­vi­men­to co­mu­nis­ta que es­ca­pam do de­sa­vi­sa­do ci­da­dão co­mum, em que pes­em as con­se­qüên­cias que po­de­mos, to­dos nós, vir a sen­tir, co­mo sen­ti­ram — e sen­tem — po­pu­la­ções in­tei­ras por es­se mun­do afo­ra. O pri­mei­ro as­pec­to é a sua sin­gu­la­ri­da­de: o úni­co mo­vi­men­to po­lí­ti­co, na his­tó­ria da hu­ma­ni­da­de, a con­tar com uma or­ga­ni­za­ção em es­ca­la mun­di­al. Ape­sar da fa­lá­cia do de­sa­pa­re­ci­men­to do co­mu­nis­mo (que ser­ve mui­to bem a seus pro­pó­si­tos), ele es­tá pre­sen­te, e não só em Cu­ba, na Chi­na e na Co­réia do Nor­te, mas tam­bém na Ar­gen­ti­na, na Bo­lí­via, na Ve­ne­zu­e­la, no Bra­sil, e até na pá­tria da de­mo­cra­cia, os EUA. Ou­tro as­pec­to é a sua clan­des­ti­ni­da­de, uma de su­as ar­mas mais efi­ca­zes. Em­bo­ra exis­tam os par­ti­dos de ba­se co­mu­nis­ta (no Bra­sil, PC do B, PT, PSOL, etc.), ele­men­tos da cren­ça es­tão dis­se­mi­na­dos em ou­tros par­ti­dos, e em mui­tas ati­vi­da­des extra partidárias, sob os mais di­ver­sos ró­tu­los, se­ja no jor­na­lis­mo, se­ja nas uni­ver­si­da­des, se­ja nas igre­jas. E os agen­tes ja­mais se re­ve­lam co­mo co­mu­nis­tas, mes­mo agin­do co­mo tal, às cla­ras ou sub-rep­ti­ci­a­men­te.

Um ter­cei­ro as­pec­to é a abun­dân­cia de re­cur­sos pa­ra sua ação. Já ima­gi­na­ram o vo­lu­me de di­nhei­ro pa­ra se mon­tar um Fó­rum So­ci­al Mun­di­al? Ou pa­ra or­ques­trar uma de­mons­tra­ção con­tra a OTAN, co­mo na se­ma­na pas­sa­da, em Es­tras­bur­go?

Um quar­to as­pec­to, o fa­to de ser re­co­nhe­cí­vel co­mo tal ape­nas uma par­ce­la ín­fi­ma de sua pro­pa­gan­da dou­tri­ná­ria, em­bo­ra ela in­to­xi­que di­a­ria­men­te a mí­dia e as pre­ga­ções uni­ver­si­tá­rias, go­ver­na­men­tais, re­li­gi­o­sas, par­la­men­ta­res. Exis­tem ou­tros as­pec­tos, mas va­mos fi­car ape­nas nes­tes.

Pas­se­mos ao ar­ti­go da Eli­a­ne. Sua crí­ti­ca à con­tra­ta­ção frau­du­len­ta da em­pre­ga­da do­més­ti­ca é ab­so­lu­ta­men­te per­ti­nen­te. O de­pu­ta­do Al­ber­to Fra­ga co­me­teu fa­lha gra­ve, inad­mis­sí­vel pa­ra qual­quer agen­te pú­bli­co, e se faz me­re­ce­dor de boa pu­ni­ção. Não tem de­fe­sa. Mes­mo por­que a úni­ca pu­ni­da até ago­ra (com sua de­mis­são, e daí o tí­tu­lo do ar­ti­go de Eli­a­ne) foi a fa­xi­nei­ra. Mas… e o mas, aqui, é mais im­por­tan­te que o res­to da ma­té­ria, Eli­a­ne as­sim ter­mi­na seu es­cri­to: “Ali­ás, não con­vém fi­car pa­ra brin­ca­dei­ri­nhas nes­te ca­so: o de­pu­ta­do Fra­ga, o pa­trão que não pa­ga a em­pre­ga­da, é o lí­der da ban­ca­da pró-ar­mas”.

Eli­a­ne en­che de mu­ni­ção o pai­ol de Ola­vo de Car­va­lho, quan­do cha­ma à re­por­ta­gem um as­sun­to que na­da tem a ver com ela. O mo­vi­men­to pe­lo de­sar­ma­men­to da po­pu­la­ção é mun­di­al­men­te pa­tro­ci­na­do pe­la es­quer­da (es­tá pre­sen­te, e for­te­men­te, até nos EUA), co­mo fór­mu­la de do­ci­li­zar as po­pu­la­ções, e im­pe­dir sua re­a­ção aos avan­ços so­ci­a­lis­tas. Faz par­te da ca­deia glo­bal que men­ci­o­na Ola­vo de Car­va­lho. Em­bo­ra os par­ti­dos mar­xis­tas apoi­as­sem aber­ta­men­te o de­sar­ma­men­to no Bra­sil, usa­ram co­mo li­nha prin­ci­pal agen­tes apa­ren­te­men­te apar­ti­dá­rios e até apo­lí­ti­cos nu­ma in­ten­sa dou­tri­na­ção, en­tran­do aí a gran­de mí­dia (Re­de Glo­bo), ONGs, par­te da Igre­ja Ca­tó­li­ca, en­ti­da­des clas­sis­tas — e eis a men­ci­o­na­da clan­des­ti­ni­da­de em ação.

Os re­cur­sos que os de­sar­ma­men­tis­tas uti­li­za­ram eram pra­ti­ca­men­te ines­go­tá­veis. Du­ran­te o re­fe­ren­do so­bre o de­sar­ma­men­to, aqui no Bra­sil, os re­cur­sos vin­dos de fo­ra pa­ra or­ga­ni­za­ções sus­pei­tas, co­mo a Vi­va Rio e a Sou da Paz, eram vo­lu­mo­sos, e eles de tal for­ma per­de­ram a ver­go­nha que nem es­con­di­am sua ori­gem.

Evi­den­ci­a­do o ter­cei­ro as­pec­to. O quar­to as­pec­to, que men­ci­o­nei aci­ma, sur­ge aqui de ma­nei­ra mais su­til. A pro­pa­gan­da que a Eli­a­ne faz, pe­los con­tor­cio­nis­mos ne­ces­sá­rios, tor­na-se pou­co re­co­nhe­cí­vel, mas fa­cil­men­te des­mas­ca­rá­vel, com um pou­co de ra­ci­o­cí­nio: 1) Fra­ga nun­ca foi pró-ar­mas. Ao acu­sá-lo de ser pró-ar­mas, ela o es­tá acu­san­do de ser a fa­vor de ar­mar a po­pu­la­ção, is­to é, in­du­zir quem não quer ou não gos­ta de ar­mas a usá-las, coi­sa que nem Fra­ga nem qual­quer de nós que so­mos con­tra o de­sar­ma­men­to ja­mais fi­ze­mos. Nós sem­pre de­fen­de­mos o di­rei­to, o ar­bí­trio, a li­ber­da­de, de quem qui­ser ter uma ar­ma pa­ra sua de­fe­sa, e de sua fa­mí­lia, de tê-la. Co­mo de­fen­de­mos o di­rei­to de não tê-la quem não qui­ser. Ao mu­dar o con­cei­to, a jor­na­lis­ta faz sua pro­pa­gan­da pou­co re­co­nhe­cí­vel da es­quer­da re­vo­lu­ci­o­ná­ria, aque­la que de­se­ja uma so­ci­e­da­de de es­cra­vos pe­ran­te um Es­ta­do for­te, co­mo acon­te­ce em Cu­ba.

2) Ao jun­tar o pe­ca­do da fu­nes­ta con­tra­ta­ção ao fa­to de o de­pu­ta­do ser an­ti-de­sar­ma­men­tis­ta, a jor­na­lis­ta ten­ta con­ta­mi­nar o ato cer­to com o ato er­ra­do. Não de­sar­ma­men­tis­tas são dois ter­ços da po­pu­la­ção bra­si­lei­ra, co­mo mos­trou o re­fe­ren­do. Não ser de­sar­ma­men­tis­ta é, pois, se ali­nhar com a von­ta­de de­mo­crá­ti­ca do Pa­ís. Na­da de er­ra­do nis­so. Já fa­zer o con­trá­rio, co­mo fa­zem a jor­na­lis­ta e seus co­le­gas de es­quer­da, seus mi­nis­tros da Jus­ti­ça, e ou­tros in­te­gran­tes do go­ver­no, é, à so­ca­pa, fa­zer a pro­pa­gan­da do to­ta­li­ta­ris­mo.

E, pa­ra não can­sar os lei­to­res: 3) Se Fra­ga, que er­rou na con­tra­ta­ção da em­pre­ga­da, é mau exem­plo, lo­go, um não de­sar­ma­men­tis­ta é mau ca­rá­ter, co­mo quer a co­lu­nis­ta, lem­bre­mos que, na sua car­rei­ra po­lí­ti­ca de de­pu­ta­do, es­se foi o pri­mei­ro e úni­co, até ago­ra, es­cor­re­gão. Já quem se ali­nhou, com Eli­a­ne e “com­pa­nhei­ros” pa­ra de­sar­mar a po­pu­la­ção, en­quan­to se des­cui­da­va dos ban­di­dos, quem es­ta­va na li­nha de fren­te do mo­vi­men­to, quem fo­ram os pró­ce­res da pre­ga­ção, co­mo Re­nan Ca­lhei­ros, Lu­iz Eduar­do Gre­e­nhalgh, Mar­cio Tho­maz Bas­tos e ou­tros, são po­lí­ti­cos que não só es­cor­re­gam, mas fa­zem dos es­cor­re­gões um meio de vi­da.

Ser­vi­dão vo­lun­tá­ria

O ir­mão de Franklyn Mar­tins, o nos­so Go­eb­bels (mi­nis­tro da Pro­pa­gan­da de Lu­la), Vic­tor de Sou­za Mar­tins, é di­re­tor da ANP (Agen­cia Na­ci­o­nal de Pe­tró­leo), e, se­gun­do do­cu­men­tos da Po­lí­cia Fe­de­ral re­ve­la­dos pe­la “Ve­ja”, es­tá en­vol­vi­do, jun­ta­men­te com a es­po­sa, em al­ta cor­rup­ção na dis­tri­bui­ção de royal­ti­es mu­ni­ci­pa­is.

Con­tu­do, des­sa vez, a Po­lí­cia Fe­de­ral não cha­mou a Glo­bo, não pren­deu nin­guém, e o pro­ces­so es­tá pa­ra­do há mais de ano. Não há opo­si­ção no Con­gres­so. Um úni­co de­pu­ta­do ho­nes­to e de­ter­mi­na­do fa­ria um car­na­val. O bra­são do Con­gres­so de­ve­ria os­ten­tar a má­xi­ma: “Om­nia ser­vi­li­ter pro do­mi­na­ti­o­ne” (“Tu­do fa­ço, ser­vil­men­te, pe­lo po­der”).

Ali­a­do de Dil­ma Rous­seff pla­ne­jou se­ques­tro do mi­nis­tro Del­fim Net­to

An­to­nio Ro­ber­to Es­pi­no­za, ex-co­man­dan­te dos mo­vi­men­tos de es­quer­da ar­ma­da VPR (Van­guar­da Po­pu­lar Re­vo­lu­ci­o­ná­ria) e VAR-Pal­ma­res (Van­guar­da Ar­ma­da Re­vo­lu­ci­o­ná­ria Pal­ma­res), con­ta, em de­ta­lha­da re­por­ta­gem da “Fo­lha de S. Pau­lo” de do­min­go, 5, co­mo tra­mou, com a par­ti­ci­pa­ção de mais qua­tro “com­pa­nhei­ros”, o seqüestro do en­tão mi­nis­tro da fa­zen­da Del­fim Net­to, em 1969.

Um dos “com­pa­nhei­ros” era a ho­je mi­nis­tra e can­di­da­ta a pre­si­den­te Dil­ma Rous­seff. O pla­no, de­ta­lha­do a pon­to de ter si­do apre­en­di­do mais tar­de até um ma­pa da re­gi­ão do seqüestro, só não foi adi­an­te, por­que al­guns “com­pa­nhei­ros” ter­ro­ris­tas fo­ram pre­sos. Dil­ma ne­gou o pla­no, di­zen­do que “não se lem­bra”. Equi­va­le ao “não sa­bia” que Lu­la sem­pre usa quan­do um de seus pró­xi­mos é pe­go rou­ban­do. É di­fí­cil acei­tar a ne­ga­ti­va da mi­nis­tra.

O pla­no exis­tiu, co­mo cons­ta dos do­cu­men­tos apre­en­di­dos e da de­cla­ra­ção, a mais in­sus­pei­ta que po­de exis­tir, pois da­da por um dos cul­pa­dos, e es­pon­tâ­nea. Se ti­ves­se su­ce­di­do, o seqüestro te­ria si­do um enor­me gol­pe pu­bli­ci­tá­rio pa­ra os ter­ro­ris­tas. Del­fim era po­pu­la­rís­si­mo, pois o Bra­sil vi­via o cha­ma­do “mi­la­gre eco­nô­mi­co”. Cres­cia a ta­xas pró­xi­mas de 10% ao ano, vi­via o ple­no em­pre­go e os sa­lá­ri­os es­ta­vam em al­ta.

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